Ao voltar da Suécia como campeão mundial, Garrincha continuaria a encantar os torcedores botafoguenses no time considerado o melhor Botafogo de todos os tempos, que contava com, além do Anjo das Pernas Tortas, Nílton Santos, Zagallo, Amarildo, entre tantos outros.
Garrincha atuou pelo Botafogo por
12 anos, entre 1953 e 1965, a maior parte de sua carreira. Conquistou o
Campeonato Carioca três vezes (1957, 1961, 1962) e por duas vezes o Torneio
Roberto Gomes Pedrosa (1962, 1964), que reunia times do Rio de Janeiro e de São
Paulo. Marcou 232 gols em 581 partidas, e se tornou um símbolo da história do
clube.
| Time do Botafogo campeão carioca de 1962. Em pé: Paulistinha, Manga, Jadir, Nílton Santos, Airton, Rildo; Agachados: Garrincha, Edson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo |
Em 1966, foi vendido ao Corinthians quando sua carreira já estava em declínio. Passaria por Atlético Júnior da Colômbia, Flamengo e Olaria antes de encerrar a sua carreira em 1972.
No decorrer de sua carreira foi
alvo de tentativas de contratação por clubes europeus. Em 1963, Inter de Milão,
Milan e Juventus consideraram contratá-lo conjuntamente, e Garrincha faria uma
temporada por cada um dos clubes. O acordo não foi para frente, mas se fosse,
seria único na história do futebol.
Copa de 1958
A Seleção Brasileira foi à Itália
disputar amistosos preparatórios contra a Fiorentina e a Internazionale antes
da disputa da Copa do Mundo de 1958. No quarto gol da goleada brasileira contra
a Fiorentina, Garrincha fez um dos gols mais famosos de sua carreira: ele
driblou quatro defensores, o goleiro e com o gol vazio não finalizou, esperou
pela volta de um zagueiro já batido, tornou a driblá-lo e somente depois entrou
com bola e tudo.
A atitude irritou a comissão
técnica que temia que ele fizesse algo semelhante durante a Copa, o que o teria
deixado de fora das duas primeiras partidas. A ausência, no entanto teve
motivação tática como pode ser visto no trecho a seguir retirado do livro "As Melhores Seleções Brasileiras de Todos
os Tempos", de Milton Leite:
“ (...) Com Pelé ainda
contundido, a dúvida a ser ainda dirimida por Feola era Joel ou Garrincha na
ponta-direita e aí a definição contou com a participação do observador Ernesto
Santos, conforme levantamento de Ruy Castro.
Ele expôs à comissão técnica que
a Áustria jogava com quatro atletas no meio-campo e sugeria que o Brasil
reforçasse o setor para equilibrar as ações. Para tanto, seria necessário que o
ponta-direita auxiliasse na marcação, como Zagallo fazia pelo lado esquerdo.
Vicente Feola disse que poderiam pedir a Garrincha para executar a tarefa.
Paulo Amaral, que conhecia bem Garrincha do Botafogo, foi definitivo ao
argumentar que ele não costumava cumprir função tática nenhuma, que não
seguiria o pedido de marcar no meio. Joel, ótimo ponta-direita e mais
disciplinado, foi o escolhido (...)”.
Amanhã abordaremos a estreia de Garrincha na Copa de 1958 contra a União Soviética, e toda a trajetória até chegar à decisão.
SMSB
Amanhã abordaremos a estreia de Garrincha na Copa de 1958 contra a União Soviética, e toda a trajetória até chegar à decisão.
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