sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Rússia e o Futebol - Parte 3

O futebol russo passou por uma grande mudança no calendário. Entre 1991 e 2010, o campeonato local era disputado entre março e novembro, parecido com o sistema do campeonato brasileiro. No entanto, os times  russos que disputavam campeonatos europeus eram prejudicados nesse tempo que não se tinha jogos oficiais, já que as equipes perdiam a competitividade e assim acabavam saindo em desvantagem. Então, para deixar mais forte a Liga Russa, os organizadores mudaram o sistema e passaram a ter as temporadas regulares igual aos outros países europeus. Para essa transição foi necessário um campeonato de dois turnos e um play-off na temporada 2011. Agora com tudo ajeitado, a Rússia promete chegar com mais força nas competições.

E não é só no torneio que tivemos alterações, os clubes também estão em mudanças políticas, aumentando seus investimentos, para contratar bons jogadores, para levar a Rússia ao mundo. Clubes como Anzhi, CSKA, Zenit e Spartak prometem entrar com tudo. Só para terem uma noção do crescimento do futebol local, a Liga Russa já tem a sétima colocação no ranking da UEFA, atrás apenas das seis mais populares (Portuguesa,Italiana,Inglesa,Alemã,Espanhola e Francesa). Em transferências, as equipes do maior país do mundo gastaram cerca de 180 milhões de reais, só ficando atrás dos investimentos dos clubes da Alemanha, Inglaterra, Itália e França, por causa do bilionário PSG.

Liga Russa.

Saindo do futebol, a culinária russa é muito variada e isso se deve ao fato do país ser muito extenso e ter muitas etnias. Há uma abundância de peixes e aves; por conta da plantação de centeio, trigo, cevada e milho, os russos tem uma grande variedade de pães, cereais, cervejas e é claro vodca. Como pratos famosos temos o Estrogonofe, a Vitela Orloff e a Sharlotka.

 Como fazer estrogonofe de frango?
Estrogonofe.
A Rússia é um país muito bonito de se conhecer. São Petersburgo e Moscou são os centros turísticos do país. Entre as atrações locais, temos a Praça Vermelha, o Kremlin, a Catedral de São Basílio, o Museu Estatal Hermitage, e esse lugares trazem um pouco da rica cultura russa.

Catedral de São Basílio.
E assim, encerramos a série do Viajando Pelo Mundo Da Bola - Rússia e o Futebol. Esperamos que vocês tenham gostado e que tenha sido útil. Continuem acompanhando nosso blog porque semana que vem já tem série nova no quadro Carreiras Efêmeras!! Não percam!!

Obrigado!!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Rússia e o Futebol - Parte 2

Há dois temas que estão sendo trabalhados com mais vigor na Rússia para a realização do Mundial de 2018. O primeiro é a questão da sustentabilidade, em que os membros da FIFA querem evitar os "elefantes brancos", pretendendo deixar um grande legado no país. Em segundo lugar, é o problema do racismo dos russos com os estrangeiros. Roberto Carlos, ex-lateral da Seleção Brasileira do Penta, por exemplo, teve bananas atiradas contra ele em algumas ocasiões. Esse tipo de atitude é repudiada pela FIFA e é cabível de punição. E como na Copa terá um grande número de turistas, eles pretendem acabar com essa questão racial até lá. Por outro lado, segundo os membros organizadores locais, a preparação russa está a frente da brasileira, em que estádios como o de São Petersburgo tem previsão de entrega para 2013, cinco anos antes do Mundial. Um verdadeiro exemplo para os brasileiros.

StPetersburg estadio Estádios da Copa de 2018 na Rússia: Imagens dos Projetos, Sede Futebol
Estádio de São Petersburgo.

A Federação Russa recebe muitos jogadores de futebol que saem do Brasil querendo ingressar na Europa. No entanto, a maioria acaba não vingando e sumindo, muitos por causa do frio, outros por não se adaptarem ao futebol local e mais alguns por causa da saudade da terra tupiniquim. Mesmo assim, há casos de atletas que se consagraram como é o caso de Vágner Love (atual jogador do Flamengo que fez sucesso com a camisa do CSKA Moscou) e Roberto Carlos, que além de ter jogado no Anzhi (novo time rico da Europa), também fez o papel de auxiliar técnico na época que o clube estava sem comandante. O camisa 6 pendurou as chuteiras na última temporada, e agora está dedicado ao cargo de auxiliar.

Roberto Carlos atuando com a camisa do Anzhi.

No mundo das curiosidades, não é novidade para vocês o fato da montanha-russa ter sido inventada na Rússia né? Mas vocês sabem como foi essa invenção? Os primeiros brinquedos desse tipo foram registrados por volta do século XVI e era todo feito de gelo, desde o carrinho até a pista. O fato curioso é que não existia um sistema de freio qualificado e muitas vezes no final da rampa, os envolvidos na modalidade não conseguiam parar o carrinho e acabavam se machucando feio. 

Montanha-russa.

O que a Rússia te lembra?? É inevitável não pensarmos na famosa Vodca, que deriva da palavra "água". Vocês sabiam que 10% das receitas do governo russo vêm dos impostos sobre a Vodca??? Impressionante né? Realmente essa bebida alcoólica é muito popular na região da Europa Oriental.

Vodca.

No próximo e último capítulo, falaremos sobre a cultura russa, a culinária e muito futebol. Não percam!!!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Rússia e o Futebol

A Rússia é um país situado na Eurásia (Europa e Ásia em conjunto), sendo uma República Semipresidencialista. A capital é Moscou, a moeda oficial é o Rublo e a população está estimada em quase 143 milhões de pessoas. A religião predominante é o cristianismo ortodoxo e a língua oficial é o russo. Na economia, os russos são muito fortes na área de recursos minerais e agricultura de grãos. Por conta do vasto território, sendo o maior país do mundo (cerca de 17 milhões de km²), a Rússia apresenta variados climas e vegetações. Na região da Sibéria já foi registrada a temperatura mais baixa da história, por volta de -60° graus Celsius. Em território russo se encontra a maior floresta do mundo, a Taiga Siberiana. Interessante né? Já que muitos acham que a Amazônia é a maior.

Bandeira oficial da Federação Russa.
No futebol, a Seleção Russa só esteve presente em duas Copas do Mundo, nos anos de 1994 e 2002. Todavia como país integrante da URSS já havia disputado outras sete. Fora dos dois últimos Mundiais, a Rússia ainda busca garantir a classificação para a Copa de 2014, no Brasil. Nas eliminatórias europeias está no grupo de Portugal, Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e Luxemburgo. Teoricamente um grupo fácil, lembrando que o primeiro colocado garante vaga direta e o segundo vai para a repescagem. A vaga para a Copa seguinte, no entanto, já está assegurada, uma vez que a Rússia foi escolhida para receber a competição em 2018.

O vídeo abaixo é sobre a candidatura russa para o Mundial de 2018.

                 

No próximo capítulo, falaremos mais sobre os preparativos russos para a Copa de 2018, sobre o futebol local que vem crescendo e muitas curiosidades. Não percam!!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Sir Bobby Charlton - Parte 3

1966 - O ano da consagração
Opening Ceremonies: 1966 World Cup Opening Ceremony
Cerimônia de abertura da Copa de 1966
Já era a oitava edição de Copa do Mundo e os inventores do futebol ainda não tinham sentido o gosto de levantar a Taça Jules Rimet. Com o torneio sendo disputado em território inglês e com o fortalecimento de uma seleção que via Bobby Charlton no auge de sua forma, a conquista parecia possível.

Após empate sem gols na estreia contra o Uruguai, foi a segunda partida que demonstrou o que o English Team poderia fazer durante o certame. 2 a 0 sobre o México com direito a um espetacular gol de Bobby Charlton em chute de longa distância que encontrou o ângulo. Gol que consolidava o bom resultado, mas que também afastava qualquer desconfiança da população inglesa para com a sua seleção nacional.

Nova vitória por 2 a 0 no jogo seguinte, agora contra os vizinhos franceses, colocava os ingleses nas quartas de final, fase também alcançada quatro anos antes. Se no Chile foram eliminados pelo Brasil de Garrincha, os atuais adversários também provinham da América do Sul, mas não carregavam consigo o título de campeões mundiais, a Argentina.

Em jogo truncado, que teve o defensor argentino Antonio Rattin expulso, a Seleção dona da casa fez apenas o suficiente e venceu pelo placar mínimo. A classificação e confronto nas semi contra Portugal recolocava frente a frente Bobby Charlton e Eusébio, poucos meses depois da histórica vitória do Manchester United sobre o Benfica por 5 a 1 no Estádio da Luz.

File:Ghost Goal World Cup 1966.jpg
Chute de Hurst que deu a vantagem à Inglaterra na prorrogação
Quem se daria melhor novamente seria o atacante inglês. Com dois gols, um em cada tempo, Bobby Charlton conduziu o English Team para disputar a sua primeira final de Copa do Mundo.

Na partida decisiva, Charlton não conseguiu brilhar. Foi acompanhado de perto durante todo o jogo por Franz Beckenbauer, que ainda iniciava a sua carreira que o consagraria como um dos grandes jogadores da história. Se Bobby não encontrava jogo, foi Geoff Hurst que assumiu o papel de protagonista marcando um gol no tempo regulamentar e mais dois na prorrogação (sendo o segundo de seus gols aquele célebre chute em que a bola bate sobre a linha e não entra, mas que erroneamente fora assinalado como gol) garantindo a conquista inglesa que teve direito à recepção do troféu das mãos da Rainha Elizabeth II.

Seleção inglesa campeã do mundo em 1966
O prêmio para Charlton pela sua excelente temporada não fora só a medalha de ouro da Copa do Mundo, como também a Bola de Ouro da revista France Football. A temporada seguinte não foi das melhores para Bobby, o que pode ser relacionado à fadiga acumulada em 18 meses jogando sem parar. Ficou três meses sem marcar um gol sequer, o que não atrapalhou uma nova conquista da liga pelo United.

1968: ano mais do que memorável
A temporada 1967/68 começou com uma série de amistosos preparatórios pelo mundo. EUA, Nova Zelândia e Austrália foram os três destinos. Extraordinária preparação para encarar novamente a European Cup.

Vitórias tranquilas sobre Hibernian Valletta e FC Sarajevo moldaram o caminho para o confronto contra o Gornik Zabrze da Polônia já nas quartas de final. Após 2 a 0 a favor em Old Trafford, os comandados de Busby tiveram que jogar sob neve, no rigoroso inverno polonês. Derrota por 1 a 0 e classificação no agregado.

As semi-finais marcavam um novo duelo entre Real Madrid e Manchester United onze anos depois da derrota para time de Di Stéfano no mesmo torneio.

Com o placar mínimo de vantagem – 1 a 0 – o United viajou ao Bernabéu sabendo da dificuldade que teria para assegurar o resultado. Law desfalcou os Diabos Vermelhos por contusão e no intervalo já estava 3 a 1 Real Madrid. Parecia o fim de um sonho.

Best comemora seu gol na final de 1968
De alguma forma, o United conseguiu se recuperar na partida e, por meio de David Sadler e Foulkes, chegou à igualdade. O empate destroçou o Real Madrid que não conseguiu impor a pressão do primeiro tempo.

Chegava a final, em 29 de maio, no estádio de Wembley. O adversário: Benfica de Eusébio. Era nada mais, nada menos do que a quinta final de European Cup em que o time lisboeta estava presente nas últimas oito temporadas (tendo vencido por duas vezes).

Já era a quarta participação de Charlton em uma European Cup, mas era a primeira em que não havia marcado. Tendo quebrado o recorde de gols pela Seleção inglesa uma semana antes (marcando seu 45º gol e ultrapassando Jimmy Greaves), Bobby vinha como capitão do time e determinado a levantar o troféu.

No começo da etapa complementar, aproveitando cruzamento de Sadler, Charlton empurrou a bola com a cabeça para as redes e pôs o United em vantagem.

Faltando apenas 9 minutos para o fim, Graça empatou e recolocou o Benfica no jogo. Eusébio teve duas boas chances e desperdiçou. Era uma questão de tempo para sair a virada e então o apito final jogou pelo lado inglês.

Pausa para descanso, muito bem aproveitada por sinal. Nos 30 minutos de prorrogação o United não só voltou à frente, ampliou, mas também transformou a vitória em goleada. 4 a 1 com gols de Best, Brian Kidd e para completar, novamente o Busby Babe, espírito de Munique, Charlton.

Manchester United's 1968 European Cup heroes
Manchester United com a taça da European Cup
Sonho atingido, título conquistado apenas dez anos após o trágico acidente de Munique. No ano seguinte o United foi eliminado pelo Milan, em 1969/70 nem participou. Não importava. A história já estava feita.

Bobby Charlton participou de mais uma Copa do Mundo pela Seleção inglesa em 1970, no México. Sua última partida foi contra o a Alemanha Ocidental pelas quartas de final. Ironicamente a Inglaterra vencia os alemães por 2 a 0 quando o técnico Ramsey resolveu preservar Charlton, já veterano. Foi a primeira substituição de Charlton como jogador de sua Seleção e a partida terminou 3 a 2. A favor da Alemanha.

Após o jogo Bobby anunciou a sua aposentadoria da Seleção. Três anos mais tarde, do futebol. Tentou carreira como técnico-jogador em 1974 pelo Preston. Mal sucedida. Ainda em 74 foi premiado com a Ordem do Império Britânico. Atualmente tem cargo de diretor do Manchester United e atua como embaixador do futebol pelo mundo.


A santíssima trindade de Old Trafford
Quando Matt Busby foi perguntado sobre Charlton, disse: “Nunca houve um jogador mais popular. Ele esteve tão perto da perfeição quanto é possível para um jogador estar”.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Sir Bobby Charlton - Parte 2

A tragédia de Munique
A data era 6 de fevereiro de 1958. O dia em que um time morreu.
Charlton após a tragédia de Munique

O United tinha empatado por 3 a 3 contra o Estrela Vermelha em Belgrado e garantido vaga nas semi-finais da European Cup. O avião em que estavam voltando para casa tinha parado em Munique para reabastecer.

Duas tentativas de decolagem, ambas abortadas. Seria necessária uma terceira. 54 segundos após o piloto ter acionado os aceleradores, o avião atingiu a cerca que limita o aeroporto, deslizou 200 metros em um campo congelado e explodiu.

Uma das asas foi arrancada e a região da cauda se rompeu espalhando os corpos dos passageiros na neve. 21 pessoas morreram, dentre elas sete dos Busby Babes – Roger Byrne, Tommy Taylor, Mark Jones, David Pegg, Geoff Bent, Eddie Colman e Billy Whelan. O próprio Busby sobreviveu agarrando-se a uma tenda de oxigênio. Da mesma forma sobreviveu Duncan Edwards, jovem talento que simbolizava o brilho do time formado pela aposta nas categorias de base, considerado o maior jogador que o Manchester United produziu.

Depois de 15 dias, Edwards morreu em decorrência das lesões que sofrera no acidente com apenas 21 anos. Charlton foi arremessado a 35 metros dos destroços e escapou com um corte na cabeça. 

Reconstrução forçada
Ao chegar a sua casa, Busby confabulava com o seu assistente Jimmy Murphy, que não estivera no acidente, sobre como reconstruir a sua equipe destroçada. Charlton seria o jogador principal para tal.

Scotland v England 1958 - Bobby Charlton Debut
Anúncio da partida entre Escócia e
Inglaterrra, a estreia de Charlton
pela Seleção.
Três meses depois da tragédia de Munique, o Manchester United conseguiu atingir a final da Copa da Inglaterra. Apesar da derrota por 2 a 1 contra o Bolton, o United já mostrava sinais de recuperação. Charlton logo seria convocado para a Seleção inglesa. Sobre esta ele comenta: “Eu provavelmente seria convocado logo, eu acho que eles tinham pena de mim por causa de Munique”. 

Charlton fez parte do grupo que disputou a Copa do Mundo da Suécia, no entanto permaneceu no banco em todas as partidas. Seus companheiros não conseguiram nada mais do que três empates na primeira fase e uma derrota contra a URSS em um playoff. O dia de Charlton ainda estava por vir.

Em 1962, Chartlon foi para a sua segunda Copa do Mundo. Agora não mais como um garoto que representava um time em destroços, mas já como o artilheiro da Seleção inglesa e peça inquestionável no time titular. A Inglaterra chegou às quartas, graças à vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, com direito a gol de Charlton. Infelizmente o time inglês encerrou a campanha no torneio na partida seguinte, derrota por 3 a 1 para o  Brasil de Garrincha, que se sagraria campeão ao final do torneio.

Garrincha tentando drible sobre Charlton em 62
De volta a Old Trafford, a reconstrução do United estava tomando forma. Grandes jogadores como Albert Quixall, Maurice Setters e Johnny Giles chegavam ao time. Na temporada 60-61, Charlton ainda assumia o protagonismo e terminou como artilheiro do time com 20 gols. David Herd, Noel Cantwell também chegaram na temporada seguinte. Dennis Law, em uma transferência recorde de £115,000, chegava para em poucos anos fazer história. Busby conseguia montar um time repleto de talentos.

Logo após a tragédia de Munique, Busby havia previsto que seriam necessários cinco anos para o time se reerguer. Ele não poderia estar mais certo. Na temporada de 1962-63 os Diabos Vermelhos voltavam a disputar a final da Copa da Inglaterra, desta vez contra o Leicester, desta vez com vitória. Faltava ainda a reafirmação dentro da liga em que o time continuava terminando nas últimas colocações.

A temporada 1963-64 foi memorável por dois motivos. Primeiramente, contra o West Brom, o triunvirato Law-Charlton-Best fazia a sua estreia jogando juntos. Significativamente, os três marcaram na vitória por 4 a 1. O segundo motivo se refere ao fato de que o United enfim voltava a jogar um campeonato europeu depois de Munique. Desta vez disputando a European Cup Winners' Cup. Charlton agora participava mais do jogo pelo meio, posição que o consagraria na história do futebol.

Trio Charlton-Law-Best que comandou o time do United na década de 60.
Após eliminar o holandês Willem II (7 a 2 no agregado), o Manchester ainda eliminaria o Tottenham antes de ser eliminado pelo Sporting Lisboa nas quartas de final da competição. Na liga, o time mostrava sinal de melhoras. Mesmo com goleadas sofridas para o Burnley, por exemplo (6 a 1), o time de Busby conseguiu terminar o campeonato na segunda colocação.

Em 64-65, o United conseguiu enfim ganhar a liga novamente, alcançar as semi-finais da Copa da Inglaterra e da Inter-Cities Fairs Cup (predecessora da atual Europa League). Charlton esteve em uma forma esplendorosa nessa temporada que foi marcada por boas vitórias dos Diabos Vermelhos sobre bons times: 3 a 0 sobre o Liverpool, 7 a 0 sobre o Aston Villa e 5 a 0 sobre o Blackburn, fora de casa.

A temporada seguinte marcava a volta à European Cup, na busca de concretizar o sonho de Busby. Após 9 a 2 no agregado sobre o HJK Helsinki, seguido de 7 a 1 sobre o ASK Vorwaerts, as quartas de final colocavam o Manchester United frente a frente com o poderoso time do Benfica, liderado por Eusébio.

Jack e Bobby Charlton, em treinamento em 1965
Vitória inglesa na partida de ida em Old Trafford por 3 a 2. Os comandados de Matt Busby viajaram para Lisboa sabendo que o Benfica não havia perdido nas 19 oportunidades em que jogou em casa pela European Cup. Existe uma primeira vez para tudo e naquela noite o United fez extraordinários 5 a 1, mais do que garantindo a classificação para as semi que os faria retornar a Belgrado oito anos após tragédia em 1958.

Não era ainda o ano em que o United venceria um torneio internacional, derrota por 2 a 1 no agregado contra o Partizan. O Manchester havia jogado um futebol magistral nesse ano, mas acabou caindo nas Copa da Inglaterra também nas semi e terminando a liga na quarta colocação. Ao final da longa e árdua temporada, Charlton se juntou a seu irmão Jack para disputar a Copa do Mundo de 1966, agora jogando em casa. Era a chance da consagração. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Sir Bobby Charlton - Parte 1

Bobby Charlton, ou melhor, Sir Bobby Charlton foi simplesmente o maior jogador de futebol do país em que esse esporte surgiu. Reconhecido dentro de campo pela versatilidade, tinha como marca a excepcional visão de jogo que, aliada à sua capacidade técnica, permitia-lhe colocar a bola onde quisesse, não só distribuindo passes com perfeição como também marcando gols em chutes de longa distância.

Na marcação a precisão era a mesma. Tanto que mesmo em entradas mais duras não se via nele deslealdade, apenas a determinação de um gentleman que nas suas 106 atuações pela Seleção inglesa não levou um cartão amarelo sequer.

Foi um dos sobreviventes do acidente aéreo que matou sete jogadores do Manchester United em 1958. Sofreu, mas foi capaz de se reerguer. Foi peça fundamental do incrível Manchester United da década de 1960 (ao lado de Denis Law e George Best) e comandou a sua Seleção ao inédito e único título de uma Copa do Mundo em 1966. Atualmente desempenha o papel de embaixador do futebol pelo mundo, além de um cargo como diretor do Manchester United.

Primeiros anos no futebol
Charlton nasceu em outubro de 1937 em Ashington, no nordeste da Inglaterra. Desde cedo já tinha grande contato com a bola, uma vez que seu avô materno e quatro de seus tios foram jogadores de futebol. No entanto, foi sua mãe que ensinou-o a jogar, assim como a seu irmão Jack, que também se tornou profissional.

Ainda garoto, Bobby foi escolhido para jogar por um time das escolas da Inglaterra contra o País de Gales (partidas desse tipo que, na época, levavam mais de 90 mil pessoas aos estádios) e logo olheiros dos principais times do país passaram a ter interesse em seu futebol. Frequentes eram as visitas de olheiros à sua casa, que eram acompanhados de propostas cada vez maiores para assegurar o talento precoce. Os ídolos de Charlton, no entanto, atuavam pelo Newcastle United, para onde iria mesmo antes de conhecer os jogadores de outros clubes famosos.
Bobby Charlton with some young fans in the backyard of his home on Beatrice Street, Ashington
Foto que reproduz Charlton jogando em sua cidade natal  (Foto: The Journal)
Seu jogador favorito era Stanley Matthews, de quem aprendeu a importância da velocidade dentro de campo. Era o fim dos anos 40 e Stanley estava em seu auge. O fascínio pelo ídolo o fez até mesmo praticar corrida com o seu avô, que foi treinador de corredores profissionais. Mais tarde Charlton destacou que aprendeu de Stanley como encontrar espaço dentro de campo, como livrar-se da marcação e saber o momento certo de correr.

Sir Bobby Charlton
Imagem de Bobby em 1956 (Foto: BBC)
Apesar da preferência pelo Newcastle, Bobby decidiu juntar-se ao Manchester United em 1953, quando ainda tinha 15 anos. Estreou pelo time principal somente em 1956: partida contra o Charlton Ahtletic em que ele já marcou seus dois primeiros gols pelo clube. Aos poucos assumia seu lugar no time principal, sendo parte integrante do grupo que viria a ser reconhecido como Busby’s Babes, uma referência à baixa média de idade do time (22 anos) formado pelo técnico Matt Busby que tentava tornar o United novamente vencedor (antes da chegada de Busby, o time não vencia o campeonato inglês desde 1911).

Em sua primeira temporada pelo clube atuou em 14 partidas e fez 12 gols. Já na sua segunda temporada sagrou-se campeão inglês, o que garantiu ao United vaga na European Cup (antecessora da Champions League). Em seu primeiro torneio internacional, eliminação somente nas semi-finais contra o fantástico time do Real Madrid comandado por Di Stéfano.

Ficheiro:Busby babes last match.jpg
Busby Babes na partida de volta contra o Estrela Vermelha (Foto: Wikipedia)
No ano seguinte, o Manchester chegava novamente às semi do torneio continental. Após vitória por 2 a 1 no Old Trafford e empate por 3 a 3 em Belgrado contra o Estrela Vermelha (com direito a dois gols de Charlton). Os Diabos Vermelhos voltavam em festa para Manchester com o posto entre os quatro melhores times da Europa assegurado. No entanto, uma tragédia estava por vir.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Catar e o Futebol - Parte 3

O Catar, na região do Oriente Médio, faz um papel de mediador mais ou menos como a Suíça na Europa faz. Tal esforço diplomático é o principal elemento que diferencia o Catar dos Emirados Árabes Unidos - confederação que reúne sete emirados, como Abu Dhabi, que é também a capital, e a famosa Dubai. Enquanto Abu Dhabi possui um fundo soberano mais rico, o Catar garante sua perpetuidade por meio da diplomacia, do islamismo moderado e de um estado tolerante. Assim, os catarianos se ligam mais ao Ocidente.

Hamad bin Khalifa Al Thani, emir do Catar, é o grande mediador na região.
Para os apreciadores de bebidas alcoólicas, a compra é liberada, porém apenas mediante a apresentação de uma carteira de permissão, sendo os gastos limitados em 10% de seu salário. A inciativa já contraria os princípios da maioria dos países islâmicos, em que não é permitido o consumo. Curioso né? No entanto, essa liberação é por conta da grande quantidade de imigrantes no país, já que os catarianos, na maioria, não bebem por conta da religião. Se álcool tem as suas restrições, por outro lado o narguilé (ou shisha), um cachimbo de água utilizado para fumar, é muito popular nesse emirado.

O famoso Narguilé.
No mundo da culinária, o Catar reflete a influência de outros países, incluindo Índia, Paquistão, Irã e Líbano. O que os catarianos mais comem são especialidades árabes como Homus, Tabule, Ghuzi (cordeiro assado), Wara Enab (folhas de videira recheadas com arroz), Kousa Mahshi (abobrinha recheada), Shawarma e Kebab. No entanto, os famosos Fast foods norte-americanos estão se tornando cada vez mais comuns.

Shawarma.
No futebol, os preparativos para a Copa do Mundo de 2022 estão a todo vapor. O comitê organizador prepara uma grande inovação, que é o sistema climatizado dentro das arenas para deixar o ambiente mais ameno, já que a região é extremamente quente. Isso é inédito em Copas do Mundo FIFA.

Title 0
Doha Sport Stadium terá sistema climatizado.

No evento FIFA, serão doze estádios, sendo seis em Doha. Os destaques são: o Al-Shamal, inspirado em uma típica embarcação árabe; o Al-Gharafa Stadium, que será um verdadeiro telão do lado de fora (com a bola rolando as imagens serão exibidas na fachada externa da arena); o Umm Salal, inspirado nos fortes árabes; o Al-Khor Stadium, que tem um formato de concha; o Doha Sport Stadium, que será feito com estruturas modulares; e o Al-Wakrah, que além de estádio, será também um complexo esportivo.

Title 0
Al-Shamal Stadium.

E é com essa imagem linda do futuro estádio no Catar que encerramos nossa série do Viajando Pelo Mundo Da Bola. Esperamos que tenham gostado e que os posts tenham sido úteis a vocês. Continuem visitando nosso blog, porque ainda temos muitas atrações. 

Segunda-feira tem uma nova trilogia no quadro Carreiras Efêmeras, então não percam!!! Se ainda não votaram no tema, procure nossa página no Facebook e garanta seu voto.

Obrigado!!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Catar e o Futebol - Parte 2

O Catar, como todos sabem, é um Estado muito pequeno, metade do menor estado brasileiro - Sergipe. Incrível né? Mesmo com as pequenas proporções, o país é fruto do petróleo, e com isso vem crescendo muito, se desenvolvendo em larga escala, como mostram os inúmeros canteiros de obras. Chega a ser tanto, que parece uma nova cidade emergindo no meio do nada. No entanto, toda mudança repentina, tem seus prós e seus contras. O lado negativo de tudo isso é que o emirado não tem mão de obra qualificada, e assim, é necessário a entrada de muitos imigrantes "cérebros" do sexo masculino, para trabalhar na área de tecnologia. A consequência disso é uma grande desproporção na população, fazendo com que seja 3 homens para 1 mulher. Não é impressionante? Já que em cidades como Belo Horizonte, é o contrário, mais mulheres do que homens.

"Uma cidade emergindo no Oriente Médio".

Viajando pelo munda da bola, infelizmente nesse Estado, o futebol ainda não é considerado uma profissão, fazendo com que os jogadores locais mantenham outro serviço, para poderem casar ( Só se pode casar,se estiver trabalhando). Dessa forma, muitos atletas tem uma vida paralela, o que acaba prejudicando o desempenho deles no esporte, já que os treinos são a noite e eles chegam cansados do trabalho. O motivo para as atividades no período noturno é por conta das altas temperaturas na região.

A alta temperatura durante o dia atrapalha as atividades.


Apesar de estádios e centros de treinamentos modernos, os catarianos ainda pecam bastante na organização. Todos os jogos têm transmissão pela televisão o que contribui para os pequenos públicos registrados na maioria das partidas (o que também decorre da falta de interesse do público ainda não tão apaixonado pelo esporte como o brasileiro, por exemplo). Com o desafio de sediar a Copa do Mundo daqui a 10 anos, o comitê organizador local se vira para reverter o cenário, os clubes trazem jogadores estrangeiros para fortalecer a liga local e dar experiência aos jogadores do país assim como técnicos de renome internacional. Uma coisa é certa: investimento não vai faltar.

Muitas cadeiras vazias em arquibancada durante jogo - Sérgio Pompeu/AE
Estádio novo, mas constantemente vazio.


Antes de ser o anfitrião de uma Copa, o Catar quer participar do Mundial de 2014 no Brasil, e para conseguir esse feito inédito, ele contam com Paulo Antuori no comando. Nas eliminatórias asiáticas, os catarianos estão no Grupo A, na terceira posição, atrás da Coréia do Sul e do Irã. Apenas duas equipes passam de fase.

No próximo e último capítulo, falaremos mais sobre a cultura do país, os preparativos para a Copa de 2022 e muito mais!!

Não percam!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Viajando Pelo Mundo Da Bola - Catar e o Futebol

O Catar é um emirado (nome dado ao Estado que é comandado por um Emir) do Oriente Médio, sendo uma Monarquia Absoluta. A capital é Doha, a população está estimada em quase 2 milhões de pessoas e a moeda oficial é o Rial. A principal religião é o islamismo e a língua oficial é o árabe. Além da capital, outra cidade que se destaca é Al Rayyan. A principal atividade econômica dessa nação é a extração de petróleo e gás natural, e com isso, o Catar tem o segundo maior PIB per capita do mundo, atrás de Liechtenstein.

Bandeira oficial do Catar.
                

Os catarianos foram dominados pelos Persas por milhares de anos, e depois por turcos otomanos e britânicos, conseguindo a independência em 1971. Com a opção de se anexar à Arábia Saudita ou ao Emirados Árabes Unidos, o Catar se recusou. E ainda por cima, com a descoberta do petróleo, esse Estado deixou de ser pobre e com economia baseada na pesca, passando a ser rico e desenvolvido.

A capital Doha.

No mundo da bola, o país ainda vem crescendo para receber a Copa do Mundo de 2022, desenvolvendo ainda mais a região que já é rica por conta do petróleo. O futebol local é destacado pela grande quantidade de brasileiros que passaram ou passam por lá, como os técnicos Abel Braga, Silas, Péricles Chamusca e o principal deles, Paulo Antuori, atualmente técnico da Seleção do Catar, que busca se classificar para a Copa de 2014.

No próximo capítulo, quarta-feira, falaremos sobre como o futebol vem crescendo, as curiosidades e muito mais!!

Não percam!!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Lev Yashin - Parte 3

No ano seguinte, Yashin foi chamado para defender a meta da seleção do Resto do Mundo que enfrentou a Inglaterra em amistoso comemorativo do centenário da Football Association mostrando ainda ser reconhecido como grande goleiro. Também em 1963, Yashin recebeu a Bola de Ouro da France Football (prêmio então concedido ao melhor jogador europeu do ano).
A União Soviética voltaria à final da Eurocopa em 1964, perdendo para a anfitriã Espanha, com grande atuação de Yashin. Na Copa do Mundo de 1966, já com 37 anos, o Aranha conseguiu levar seu país ao quarto lugar, destacando-se na partida de quartas-de-final contra a Hungria. As limitações impostas pela idade já o faziam ter de ser poupado, não tendo atuado em duas das seis partidas dos soviéticos na competição.
Foi titular na campanha da Eurocopa de 1968, onde foram eliminados na fase semi-final. Após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação, a URSS perdeu a vaga na final para a Itália no cara e coroa. Nesse mesmo ano, pelos serviços prestados à população e ao país, Yashin foi condecorado com a Ordem de Lenin. 


Com 41 anos, foi à Copa do Mundo de 1970, mas já como reserva. Pendurou as luvas no ano seguinte, com direito a partida de despedida organizada pela FIFA no Estádio Lenin em Moscou. Cerca de 100 mil pessoas compareceram ao jogo que contou com a participação de estrelas como Pelé, Beckenbauer e Eusébio.
Depois de aposentado Yashin passou quase 20 anos em diversas posições administrativas do Dínamo de Moscou, que ergueu uma estátua de bronze do seu maior jogador em frente ao seu estádio.
Em 1986, por complicações circulatórias, Yashin teve uma de suas pernas amputadas. Morreu em 1990, em decorrência de um câncer no estômago.

Não só pela excepcional elegância para realizar defesas acrobáticas, como também pela incrível visão sobre o jogo que lhe permitiram revolucionar a função do goleiro, Lev Yashin será sempre lembrado como, se não o melhor goleiro de todos os tempos, o mais importante para a posição. Ele soube exercer a função de organizar a sua defesa como ninguém, foi um dos pioneiros em socar a bola em situações de perigo sem se dar a obrigatoriedade de agarrá-la e em ligar rápidos contra-ataques a partir de seus lançamentos. Por tudo que fez pelo esporte, passou a dar nome ao prêmio entregue ao melhor goleiro da Copa do Mundo a partir de 1994 (em 2010 o prêmio passou a receber o nome de Luva de Ouro) foi eleito o melhor goleiro do século XX  pela FIFA, e sempre está e estará presente “nas seleções do século XX” montadas pelas revistas esportivas mundo afora.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Lev Yashin - Parte 2

Yashin foi titular do time que ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Melbourne em 1956, mas se tornou conhecido mundialmente após a sua participação na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Suas grandes atuações lhe renderiam o apelido de Aranha Negra, em uma referência ao seu uniforme sempre preto e à sua incrível capacidade de realizar defesas difíceis, como se tivesse oito braços.


Na segunda partida da URSS no torneio de 58, contra a Áustria, além da boa atuação Yashin também defendeu um pênalti – sua marca registrada, tendo defendido cerca de 150 durante toda a carreira. O próximo jogo foi contra o Brasil que estreava com a dupla Pelé e Garrincha jogando juntos (o primeiro se recuperara de uma contusão e o segundo entrou no lugar Joel que sofrera uma lesão no joelho). Yashin levou só dois gols na partida  tendo impedido um massacre maior (o Brasil faria 5 gols na França e na Suécia no decorrer do certame). Também teve atuação importante para assegurar a vitória soviética por 1 a 0 sobre a Inglaterra, que qualificou a URSS para a fase de mata-matas onde foi eliminada ainda na fase de quartas-de-final, derrotada pelos donos da casa.


Dois anos mais tarde, em 1960, na disputa da primeira Eurocopa, a URSS saiu vitoriosa muito em decorrência da excepcional atuação do Aranha Negra que segurou a supremacia iugoslava na final no Parc de Princes. Sua reputação já construída e consolidada sofreu, no entanto, um abalo com a participação na Copa do Mundo do Chile, em 1962. 

Apesar da boa estreia contra a Iugoslávia, Yashin contribuiu para o empate em 4 a 4 contra a Colômbia, ainda na primeira fase. Os soviéticos tinham a vantagem de 4 a 1, porém sofreram três gols em bolas que poderiam facilmente terem sido defendidas - incluindo um gol olímpico (primeiro e único em uma Copa do Mundo). Yashin voltaria a falhar contra os donos da casa nas quartas-de-final, o que culminaria na eliminação de seu país do torneio. Parecia ser o fim do Aranha Negra.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Lev Yashin - Parte 1


Impossível listar os grandes goleiros da história do futebol e não se lembrar de Lev Yashin. O lendário goleiro soviético foi responsável por revolucionar o modo de jogar de sua posição, deixando de se restringir a se posicionar debaixo das traves, conseguindo tamanho destaque a ponto de receber a Bola de Ouro da France Football em 1963 – primeiro e  único goleiro a conseguir esse feito até hoje.
Começou a carreira como goleiro de hóquei do time da fábrica onde trabalhava durante a Segunda Guerra Mundial. Migraria para o futebol aos 14 anos e logo seria chamado para fazer parte das categorias de base do Dínamo de Moscou, único clube que defendeu durante os 22 anos de sua carreira.

Estreou pelo Dínamo em 1950, já com 21 anos, em uma partida amistosa. Não foi a melhor das estreias, é verdade, uma vez que acabou levando um gol do goleiro adversário que simplesmente afastava a bola de sua área. A atuação ruim fez com que amargurasse a reserva pelos próximos dois anos – período que Yashin aproveitou para voltar a jogar hóquei, esporte pelo qual era aficionado.
Jogando pelo Dínamo de Moscou, mas usando patins e não chuteiras, Yashin ganhou a copa soviética e ajudou o time a alcançar a terceira colocação na liga local em 1953. Retornaria aos gramados no mesmo ano e para não sair mais. Contam os dúbios registros (que assim podem ser considerados dada a dificuldade de se ter acesso a informações da URSS em tempos de Guerra Fria) que Yashin só levaria um gol após ter assumido a titularidade em 1958  e fora nesse intervalo que teve a sua primeira convocação para a Seleção Soviética em 1954.
Pelo clube, Yashin conquistou o Campeonato Soviético por cinco vezes (1954, 1955, 1957, 1959 e 1963) e a Copa Soviética em três ocasiões (1953, 1967 e 1970).
Na próxima parte, abordaremos a trajetória do lendário goleiro moscovita pela sua seleção; desde a consagração na Copa de 1958 até a contestação em 1962.

sábado, 21 de julho de 2012

Jogando apenas para o gasto, Seleção Brasileira vence com tranquilidade a Grã-Bretanha a seis dias da estreia olímpica

Não foi brilhante, não foi empolgante, mas foi suficiente. Assim pode se definir o futebol apresentado pelos comandados de Mano Menezes na tarde desta sexta-feira (20); futebol que não deve ser muito diferente durante a trajetória olímpica.

Se esse era um jogo que poderia apontar a fragilidade defensiva ou a falta de criatividade na criação das jogadas, simplesmente não foi. Não porque Juan foi extremamente seguro e a Seleção finalizou aos montes sem ser dependente da lateral-esquerda com Marcelo, mas sim porque o adversário não o fez necessário.

O jogo
Com os 11 titulares que devem ir a campo na próxima quinta-feira (26) contra o Egito, em Cardiff, a Seleção Brasileira comandou a partida desde os minutos iniciais e abriu o placar logo aos 11 minutos. Neymar cobrou falta que passou por toda a área até encontrar a cabeça de Sandro que inaugurou o marcador. Jogada exaustivamente treinada por Mano Menezes e que enfim dava certo.
Spurred on: Tottenham midfielder Sandro opened the scoring for the Brazilians
Sandro abriu o placar em Middlesbrough.
A vantagem no placar deu tranquilidade à equipe de Mano que controlou o meio campo sem, no entanto, levar perigo à meta britânica. Atuações fracas de Oscar e novamente de Leandro Damião que só marcou um gol nas dez partidas que disputou com a amarelinha.

Neymar e Hulk eram os que se encarregavam da jogada individual. O primeiro conseguiu dribles no meio campo e próximos à lateral, nada mais. Passou até a ser vaiado pela torcida presente no Riverside Stadium após cair no chão em disputa com o zagueiro Bertrand. Já o segundo, em uma das tentativas, conseguiu arrancar pela direita, ganhar na corrida de Richards que o derrubou dentro da área. Pênalti que Neymar bateu e converteu aos 34.
Spot on: Neymar doubled Brazil's lead from the spot halfway through the first half
Neymar dobrou a vantagem de pênalti.
Os dois gols de vantagem fizeram o jogo esfriar, cenário que só sofreria alguma alteração no início da etapa final. Rose saiu do meio campo e passou a atuar na lateral de onde criou a melhor (única) chance efetiva de gol britânico. O jogador do Tottenham partiu em velocidade pela esquerda e cruzou rasteiro para Bellamy desviar e obrigar Rafael a fazer excepcional defesa. No entanto o lance já havia sido parado por impedimento do atacante galês.

Enquanto Stuart Pearce aproveitava as sete substituições a que tinha direito, Mano Menezes foi mais econômico. O técnico brasileiro promoveu as entradas de Lucas e Ganso nos lugares de Hulk e Oscar; e mais tarde colocou Alexandre Pato no lugar Damião. As alterações mantiveram o jogo brasileiro de valorizar a posse de bola na tentativa de ampliar o placar.

Apesar de algumas finalizações, que esbarraram na segura atuação do goleiro reserva inglês Butland (incluindo duas difíceis defesas em finalizações de Neymar e Pato), o jogo terminou com o mesmo placar do primeiro tempo: 2 a 0.

Entre os três reservas foi Lucas quem conseguiu se destacar, sendo um dos principais pontos positivos do amistoso: com boas arrancadas que criaram chances de gol. Apesar da atuação fraca, mas decisiva (o suficiente para ser eleito o jogador da partida), Neymar teve maior mobilidade em relação aos últimos amistosos, não ficando preso na ponta-esquerda, o que também merece ser notado. Thiago Silva, como de costume, foi muito seguro e Rafael parece ter assumido de vez a posição de lateral-direito (deixando Danilo na reserva).

Caminho em Londres
O Brasil não deve ter dificuldades para passar pela primeira fase (está no grupo de Egito, Bielorrússia e Nova Zelândia) e nem pelas quartas-de-final (onde deve enfrentar Marrocos, Honduras ou Japão). Para esses jogos o que se tem é de fato suficiente, a partir das semi (contra provavelmente Uruguai) pode deixar de ser. É aí que o suficiente passa a ser perigoso.