sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Sir Bobby Charlton - Parte 3

1966 - O ano da consagração
Opening Ceremonies: 1966 World Cup Opening Ceremony
Cerimônia de abertura da Copa de 1966
Já era a oitava edição de Copa do Mundo e os inventores do futebol ainda não tinham sentido o gosto de levantar a Taça Jules Rimet. Com o torneio sendo disputado em território inglês e com o fortalecimento de uma seleção que via Bobby Charlton no auge de sua forma, a conquista parecia possível.

Após empate sem gols na estreia contra o Uruguai, foi a segunda partida que demonstrou o que o English Team poderia fazer durante o certame. 2 a 0 sobre o México com direito a um espetacular gol de Bobby Charlton em chute de longa distância que encontrou o ângulo. Gol que consolidava o bom resultado, mas que também afastava qualquer desconfiança da população inglesa para com a sua seleção nacional.

Nova vitória por 2 a 0 no jogo seguinte, agora contra os vizinhos franceses, colocava os ingleses nas quartas de final, fase também alcançada quatro anos antes. Se no Chile foram eliminados pelo Brasil de Garrincha, os atuais adversários também provinham da América do Sul, mas não carregavam consigo o título de campeões mundiais, a Argentina.

Em jogo truncado, que teve o defensor argentino Antonio Rattin expulso, a Seleção dona da casa fez apenas o suficiente e venceu pelo placar mínimo. A classificação e confronto nas semi contra Portugal recolocava frente a frente Bobby Charlton e Eusébio, poucos meses depois da histórica vitória do Manchester United sobre o Benfica por 5 a 1 no Estádio da Luz.

File:Ghost Goal World Cup 1966.jpg
Chute de Hurst que deu a vantagem à Inglaterra na prorrogação
Quem se daria melhor novamente seria o atacante inglês. Com dois gols, um em cada tempo, Bobby Charlton conduziu o English Team para disputar a sua primeira final de Copa do Mundo.

Na partida decisiva, Charlton não conseguiu brilhar. Foi acompanhado de perto durante todo o jogo por Franz Beckenbauer, que ainda iniciava a sua carreira que o consagraria como um dos grandes jogadores da história. Se Bobby não encontrava jogo, foi Geoff Hurst que assumiu o papel de protagonista marcando um gol no tempo regulamentar e mais dois na prorrogação (sendo o segundo de seus gols aquele célebre chute em que a bola bate sobre a linha e não entra, mas que erroneamente fora assinalado como gol) garantindo a conquista inglesa que teve direito à recepção do troféu das mãos da Rainha Elizabeth II.

Seleção inglesa campeã do mundo em 1966
O prêmio para Charlton pela sua excelente temporada não fora só a medalha de ouro da Copa do Mundo, como também a Bola de Ouro da revista France Football. A temporada seguinte não foi das melhores para Bobby, o que pode ser relacionado à fadiga acumulada em 18 meses jogando sem parar. Ficou três meses sem marcar um gol sequer, o que não atrapalhou uma nova conquista da liga pelo United.

1968: ano mais do que memorável
A temporada 1967/68 começou com uma série de amistosos preparatórios pelo mundo. EUA, Nova Zelândia e Austrália foram os três destinos. Extraordinária preparação para encarar novamente a European Cup.

Vitórias tranquilas sobre Hibernian Valletta e FC Sarajevo moldaram o caminho para o confronto contra o Gornik Zabrze da Polônia já nas quartas de final. Após 2 a 0 a favor em Old Trafford, os comandados de Busby tiveram que jogar sob neve, no rigoroso inverno polonês. Derrota por 1 a 0 e classificação no agregado.

As semi-finais marcavam um novo duelo entre Real Madrid e Manchester United onze anos depois da derrota para time de Di Stéfano no mesmo torneio.

Com o placar mínimo de vantagem – 1 a 0 – o United viajou ao Bernabéu sabendo da dificuldade que teria para assegurar o resultado. Law desfalcou os Diabos Vermelhos por contusão e no intervalo já estava 3 a 1 Real Madrid. Parecia o fim de um sonho.

Best comemora seu gol na final de 1968
De alguma forma, o United conseguiu se recuperar na partida e, por meio de David Sadler e Foulkes, chegou à igualdade. O empate destroçou o Real Madrid que não conseguiu impor a pressão do primeiro tempo.

Chegava a final, em 29 de maio, no estádio de Wembley. O adversário: Benfica de Eusébio. Era nada mais, nada menos do que a quinta final de European Cup em que o time lisboeta estava presente nas últimas oito temporadas (tendo vencido por duas vezes).

Já era a quarta participação de Charlton em uma European Cup, mas era a primeira em que não havia marcado. Tendo quebrado o recorde de gols pela Seleção inglesa uma semana antes (marcando seu 45º gol e ultrapassando Jimmy Greaves), Bobby vinha como capitão do time e determinado a levantar o troféu.

No começo da etapa complementar, aproveitando cruzamento de Sadler, Charlton empurrou a bola com a cabeça para as redes e pôs o United em vantagem.

Faltando apenas 9 minutos para o fim, Graça empatou e recolocou o Benfica no jogo. Eusébio teve duas boas chances e desperdiçou. Era uma questão de tempo para sair a virada e então o apito final jogou pelo lado inglês.

Pausa para descanso, muito bem aproveitada por sinal. Nos 30 minutos de prorrogação o United não só voltou à frente, ampliou, mas também transformou a vitória em goleada. 4 a 1 com gols de Best, Brian Kidd e para completar, novamente o Busby Babe, espírito de Munique, Charlton.

Manchester United's 1968 European Cup heroes
Manchester United com a taça da European Cup
Sonho atingido, título conquistado apenas dez anos após o trágico acidente de Munique. No ano seguinte o United foi eliminado pelo Milan, em 1969/70 nem participou. Não importava. A história já estava feita.

Bobby Charlton participou de mais uma Copa do Mundo pela Seleção inglesa em 1970, no México. Sua última partida foi contra o a Alemanha Ocidental pelas quartas de final. Ironicamente a Inglaterra vencia os alemães por 2 a 0 quando o técnico Ramsey resolveu preservar Charlton, já veterano. Foi a primeira substituição de Charlton como jogador de sua Seleção e a partida terminou 3 a 2. A favor da Alemanha.

Após o jogo Bobby anunciou a sua aposentadoria da Seleção. Três anos mais tarde, do futebol. Tentou carreira como técnico-jogador em 1974 pelo Preston. Mal sucedida. Ainda em 74 foi premiado com a Ordem do Império Britânico. Atualmente tem cargo de diretor do Manchester United e atua como embaixador do futebol pelo mundo.


A santíssima trindade de Old Trafford
Quando Matt Busby foi perguntado sobre Charlton, disse: “Nunca houve um jogador mais popular. Ele esteve tão perto da perfeição quanto é possível para um jogador estar”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário