1966 - O ano da consagração
| Cerimônia de abertura da Copa de 1966 |
Após empate sem gols na estreia contra o Uruguai,
foi a segunda partida que demonstrou o que o English Team poderia fazer durante
o certame. 2 a 0 sobre o México com direito a um espetacular gol de Bobby
Charlton em chute de longa distância que encontrou o ângulo. Gol que
consolidava o bom resultado, mas que também afastava qualquer desconfiança da
população inglesa para com a sua seleção nacional.
Nova vitória por 2 a 0 no jogo seguinte, agora
contra os vizinhos franceses, colocava os ingleses nas quartas de final, fase
também alcançada quatro anos antes. Se no Chile foram eliminados pelo Brasil de
Garrincha, os atuais adversários também provinham da América do Sul, mas não
carregavam consigo o título de campeões mundiais, a Argentina.
Em jogo truncado, que teve o defensor argentino
Antonio Rattin expulso, a Seleção dona da casa fez apenas o suficiente e venceu
pelo placar mínimo. A classificação e confronto nas semi contra Portugal
recolocava frente a frente Bobby Charlton e Eusébio, poucos meses depois da
histórica vitória do Manchester United sobre o Benfica por 5 a 1 no Estádio da
Luz.
| Chute de Hurst que deu a vantagem à Inglaterra na prorrogação |
Na partida decisiva, Charlton não conseguiu
brilhar. Foi acompanhado de perto durante todo o jogo por Franz Beckenbauer,
que ainda iniciava a sua carreira que o consagraria como um dos grandes
jogadores da história. Se Bobby não encontrava jogo, foi Geoff Hurst que
assumiu o papel de protagonista marcando um gol no tempo regulamentar e mais
dois na prorrogação (sendo o segundo de seus gols aquele célebre chute em que a
bola bate sobre a linha e não entra, mas que erroneamente fora assinalado como
gol) garantindo a conquista inglesa que teve direito à recepção do troféu das
mãos da Rainha Elizabeth II.
| Seleção inglesa campeã do mundo em 1966 |
O prêmio para Charlton pela sua excelente temporada
não fora só a medalha de ouro da Copa do Mundo, como também a Bola de Ouro da
revista France Football. A temporada seguinte não foi das melhores para Bobby,
o que pode ser relacionado à fadiga acumulada em 18 meses jogando sem parar.
Ficou três meses sem marcar um gol sequer, o que não atrapalhou uma nova
conquista da liga pelo United.
1968: ano mais do que memorável
A temporada 1967/68 começou com uma série de amistosos
preparatórios pelo mundo. EUA, Nova Zelândia e Austrália foram os três destinos. Extraordinária
preparação para encarar novamente a European Cup.
Vitórias tranquilas sobre Hibernian Valletta e FC
Sarajevo moldaram o caminho para o confronto contra o Gornik Zabrze da Polônia
já nas quartas de final. Após 2 a 0 a favor em Old Trafford, os comandados de
Busby tiveram que jogar sob neve, no rigoroso inverno polonês. Derrota por 1 a
0 e classificação no agregado.
As semi-finais marcavam um novo duelo entre Real
Madrid e Manchester United onze anos depois da derrota para time de Di Stéfano
no mesmo torneio.
Com o placar mínimo de vantagem – 1 a 0 – o United
viajou ao Bernabéu sabendo da dificuldade que teria para assegurar o resultado.
Law desfalcou os Diabos Vermelhos por contusão e no intervalo já estava 3 a 1
Real Madrid. Parecia o fim de um sonho.
| Best comemora seu gol na final de 1968 |
Chegava a final, em 29 de maio, no estádio de
Wembley. O adversário: Benfica de Eusébio. Era nada mais, nada menos do que a
quinta final de European Cup em que o time lisboeta estava presente nas últimas
oito temporadas (tendo vencido por duas vezes).
Já era a quarta participação de Charlton em uma
European Cup, mas era a primeira em que não havia marcado. Tendo quebrado o recorde
de gols pela Seleção inglesa uma semana antes (marcando seu 45º gol e
ultrapassando Jimmy Greaves), Bobby vinha como capitão do time e determinado a
levantar o troféu.
No começo da etapa complementar, aproveitando
cruzamento de Sadler, Charlton empurrou a bola com a cabeça para as redes e pôs
o United em vantagem.
Faltando apenas 9 minutos para o fim, Graça empatou
e recolocou o Benfica no jogo. Eusébio teve duas boas chances e desperdiçou.
Era uma questão de tempo para sair a virada e então o apito final jogou pelo
lado inglês.
Pausa para descanso, muito bem aproveitada por
sinal. Nos 30 minutos de prorrogação o United não só voltou à frente, ampliou,
mas também transformou a vitória em goleada. 4 a 1 com gols de Best, Brian Kidd
e para completar, novamente o Busby Babe, espírito de Munique, Charlton.
| Manchester United com a taça da European Cup |
Sonho atingido, título conquistado apenas dez anos
após o trágico acidente de Munique. No ano seguinte o United foi eliminado pelo
Milan, em 1969/70 nem participou. Não importava. A história já estava feita.
Bobby Charlton participou de mais uma Copa do Mundo
pela Seleção inglesa em 1970, no México. Sua última partida foi contra o a
Alemanha Ocidental pelas quartas de final. Ironicamente a Inglaterra vencia os
alemães por 2 a 0 quando o técnico Ramsey resolveu preservar Charlton, já
veterano. Foi a primeira substituição de Charlton como jogador de sua Seleção e
a partida terminou 3 a 2. A favor da Alemanha.
Após o jogo Bobby anunciou a sua aposentadoria da
Seleção. Três anos mais tarde, do futebol. Tentou carreira como técnico-jogador
em 1974 pelo Preston. Mal sucedida. Ainda em 74 foi premiado com a Ordem do
Império Britânico. Atualmente tem cargo de diretor do Manchester United e atua
como embaixador do futebol pelo mundo.
| A santíssima trindade de Old Trafford |
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