quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Sir Bobby Charlton - Parte 2

A tragédia de Munique
A data era 6 de fevereiro de 1958. O dia em que um time morreu.
Charlton após a tragédia de Munique

O United tinha empatado por 3 a 3 contra o Estrela Vermelha em Belgrado e garantido vaga nas semi-finais da European Cup. O avião em que estavam voltando para casa tinha parado em Munique para reabastecer.

Duas tentativas de decolagem, ambas abortadas. Seria necessária uma terceira. 54 segundos após o piloto ter acionado os aceleradores, o avião atingiu a cerca que limita o aeroporto, deslizou 200 metros em um campo congelado e explodiu.

Uma das asas foi arrancada e a região da cauda se rompeu espalhando os corpos dos passageiros na neve. 21 pessoas morreram, dentre elas sete dos Busby Babes – Roger Byrne, Tommy Taylor, Mark Jones, David Pegg, Geoff Bent, Eddie Colman e Billy Whelan. O próprio Busby sobreviveu agarrando-se a uma tenda de oxigênio. Da mesma forma sobreviveu Duncan Edwards, jovem talento que simbolizava o brilho do time formado pela aposta nas categorias de base, considerado o maior jogador que o Manchester United produziu.

Depois de 15 dias, Edwards morreu em decorrência das lesões que sofrera no acidente com apenas 21 anos. Charlton foi arremessado a 35 metros dos destroços e escapou com um corte na cabeça. 

Reconstrução forçada
Ao chegar a sua casa, Busby confabulava com o seu assistente Jimmy Murphy, que não estivera no acidente, sobre como reconstruir a sua equipe destroçada. Charlton seria o jogador principal para tal.

Scotland v England 1958 - Bobby Charlton Debut
Anúncio da partida entre Escócia e
Inglaterrra, a estreia de Charlton
pela Seleção.
Três meses depois da tragédia de Munique, o Manchester United conseguiu atingir a final da Copa da Inglaterra. Apesar da derrota por 2 a 1 contra o Bolton, o United já mostrava sinais de recuperação. Charlton logo seria convocado para a Seleção inglesa. Sobre esta ele comenta: “Eu provavelmente seria convocado logo, eu acho que eles tinham pena de mim por causa de Munique”. 

Charlton fez parte do grupo que disputou a Copa do Mundo da Suécia, no entanto permaneceu no banco em todas as partidas. Seus companheiros não conseguiram nada mais do que três empates na primeira fase e uma derrota contra a URSS em um playoff. O dia de Charlton ainda estava por vir.

Em 1962, Chartlon foi para a sua segunda Copa do Mundo. Agora não mais como um garoto que representava um time em destroços, mas já como o artilheiro da Seleção inglesa e peça inquestionável no time titular. A Inglaterra chegou às quartas, graças à vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, com direito a gol de Charlton. Infelizmente o time inglês encerrou a campanha no torneio na partida seguinte, derrota por 3 a 1 para o  Brasil de Garrincha, que se sagraria campeão ao final do torneio.

Garrincha tentando drible sobre Charlton em 62
De volta a Old Trafford, a reconstrução do United estava tomando forma. Grandes jogadores como Albert Quixall, Maurice Setters e Johnny Giles chegavam ao time. Na temporada 60-61, Charlton ainda assumia o protagonismo e terminou como artilheiro do time com 20 gols. David Herd, Noel Cantwell também chegaram na temporada seguinte. Dennis Law, em uma transferência recorde de £115,000, chegava para em poucos anos fazer história. Busby conseguia montar um time repleto de talentos.

Logo após a tragédia de Munique, Busby havia previsto que seriam necessários cinco anos para o time se reerguer. Ele não poderia estar mais certo. Na temporada de 1962-63 os Diabos Vermelhos voltavam a disputar a final da Copa da Inglaterra, desta vez contra o Leicester, desta vez com vitória. Faltava ainda a reafirmação dentro da liga em que o time continuava terminando nas últimas colocações.

A temporada 1963-64 foi memorável por dois motivos. Primeiramente, contra o West Brom, o triunvirato Law-Charlton-Best fazia a sua estreia jogando juntos. Significativamente, os três marcaram na vitória por 4 a 1. O segundo motivo se refere ao fato de que o United enfim voltava a jogar um campeonato europeu depois de Munique. Desta vez disputando a European Cup Winners' Cup. Charlton agora participava mais do jogo pelo meio, posição que o consagraria na história do futebol.

Trio Charlton-Law-Best que comandou o time do United na década de 60.
Após eliminar o holandês Willem II (7 a 2 no agregado), o Manchester ainda eliminaria o Tottenham antes de ser eliminado pelo Sporting Lisboa nas quartas de final da competição. Na liga, o time mostrava sinal de melhoras. Mesmo com goleadas sofridas para o Burnley, por exemplo (6 a 1), o time de Busby conseguiu terminar o campeonato na segunda colocação.

Em 64-65, o United conseguiu enfim ganhar a liga novamente, alcançar as semi-finais da Copa da Inglaterra e da Inter-Cities Fairs Cup (predecessora da atual Europa League). Charlton esteve em uma forma esplendorosa nessa temporada que foi marcada por boas vitórias dos Diabos Vermelhos sobre bons times: 3 a 0 sobre o Liverpool, 7 a 0 sobre o Aston Villa e 5 a 0 sobre o Blackburn, fora de casa.

A temporada seguinte marcava a volta à European Cup, na busca de concretizar o sonho de Busby. Após 9 a 2 no agregado sobre o HJK Helsinki, seguido de 7 a 1 sobre o ASK Vorwaerts, as quartas de final colocavam o Manchester United frente a frente com o poderoso time do Benfica, liderado por Eusébio.

Jack e Bobby Charlton, em treinamento em 1965
Vitória inglesa na partida de ida em Old Trafford por 3 a 2. Os comandados de Matt Busby viajaram para Lisboa sabendo que o Benfica não havia perdido nas 19 oportunidades em que jogou em casa pela European Cup. Existe uma primeira vez para tudo e naquela noite o United fez extraordinários 5 a 1, mais do que garantindo a classificação para as semi que os faria retornar a Belgrado oito anos após tragédia em 1958.

Não era ainda o ano em que o United venceria um torneio internacional, derrota por 2 a 1 no agregado contra o Partizan. O Manchester havia jogado um futebol magistral nesse ano, mas acabou caindo nas Copa da Inglaterra também nas semi e terminando a liga na quarta colocação. Ao final da longa e árdua temporada, Charlton se juntou a seu irmão Jack para disputar a Copa do Mundo de 1966, agora jogando em casa. Era a chance da consagração. 

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