segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Alfredo Di Stéfano - Parte 1

Alfredo Di Stéfano Laulhé (Buenos Aires, 4 de julho de 1926) é um ex-jogador e treinador argentino, que atuou pelas seleções da Argentina, Colômbia e Espanha. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol, tem como uma das suas únicas mágoas, nunca ter estado em campo em uma partida de Copa do Mundo. Teve o auge da sua carreira atuando pelo Real Madrid, clube do qual é presidente honorário desde 2000.

Ganhou a alcunha de “Flecha Loira” quando atuava pelo Huracán da Argentina, em referência a sua velocidade e cabelos loiros. Obcecado pelo gol, aperfeiçoou o seu estilo de jogo ao sair de sua terra natal, indo buscar a bola fora da área, atuando como ponta de lança. Era dotado de excepcional preparo físico que o permitia correr por todo o campo. Além da precisão nos remates, marcava bem, tinha inteligência para criar jogadas, e habilidade para receber e passar a bola.

Como técnico teve destaque no Valencia, mas dirigiu também Elche, Boca Juniors, Sporting, Rayo Vallecano, Castellón, River Plate e Real Madrid. Di Stéfano possui a marca histórica de ser o único técnico vencedor do Campeonato Argentino por Boca Juniors e River Plate.

Primeiros anos como profissional
Quando criança sonhava em ser aviador, apesar do incentivo de seu pai, ex-jogador do River Plate, em que tivesse uma carreira no futebol. Apenas aos 17 anos ganhou interesse no jogo, após marcar três gols pelo time do bairro, em uma partida em que fora chamado às pressas para completar a equipe. Foi levado ao River por um ex-jogador que, em visita casual à sua casa, ouviu de sua mãe que ele tinha talento.

Passou no teste no River Plate, onde ascendeu à equipe principal e foi campeão argentino em 1945. Mas devido as suas poucas atuações, foi emprestado ao Huracán. Em 1946, marcou 10 gols em 25 partidas na campanha mediana do time que terminou em nono. O Huracán quis ficar com Di Stéfano em definitivo, mas não conseguiu viabilizar a contratação, perdendo o jogador na temporada seguinte.

Em 1947, Di Stéfano voltou ao River Plate e assumiu a condição de titular. Marcou 27 gols em 30 partidas, conduziu o River ao nono título do Campeonato Argentino e terminou como artilheiro do certame. Suas atuações o levaram à Seleção Argentina onde conquistou a Copa América do mesmo ano, marcando 6 gols em 6 partidas.

O título nacional rendeu ao River um convite para disputar o Campeonato Sul-Americano de Campeões (reconhecido mais tarde como equivalente à Taça Libertadores da América), realizado em 1948. O River veio ao Brasil jogar amistosos preparatórios para o torneio em São Paulo. Seu arquirrival Boca, que não participaria do torneio, também veio à cidade. Curiosamente, organizou-se um amistoso entre um combinado paulista e outro dos argentinos. Nesta partida, o uniforme do Palmeiras foi usado pelos jogadores de River e Boca, uma vez que os jogadores de cada um não queriam usar a roupa do rival.

A promissora carreira de Di Stéfano pelo River Plate, porém, parou por ali. Os jogadores argentinos haviam realizado uma greve reivindicando melhorias trabalhistas (assistência médica para os familiares, um salário mínimo e a extinção do passe, para poderem escolher onde jogar). As exigências, no entanto, não foram atendidas, o campeonato parou e muitos foram jogar fora do país. Dí Stéfano optou em ir para o Millonarios da Colômbia. Em sua trajetória no River Plate, marcou 49 gols em 66 jogos.

Di Stéfano chegou ao clube de Bogotá em 1949. A liga colombiana estava atraindo diversos jogadores do continente que, embora fossem atletas profissionais, não costumavam ser bem pagos em seus países.
O fluxo de atletas para a Colômbia, deveu-se à tentativa de implantar o profissionalismo no país, com a criação de um campeonato nacional, por iniciativa dos clubes, desvinculado à federação local. A competição foi banida pela FIFA por não seguir regulamentos da entidade no que condizia às diretrizes de transferências e limite de estrangeiros.

A situação de “liga pirata” possibilitou aos clubes colombianos que conseguissem contratar jogadores sem pagar multas rescisórias, uma vez que não estavam sob jurisdição da entidade máxima do futebol (bastava que oferecessem um salário melhor aos jogadores, e uma passagem apenas de ida para a Colômbia). Tal fato trouxe insatisfação por parte das federações sul-americanas, afinal perdiam seus principais atletas e não recebiam nada por eles. O basta das federações sul-americanas veio em 1951, quando foi firmado um acordo permitindo que a situação se mantivesse por mais dois anos e que, após esse prazo, todos os estrangeiros voltassem aos seus clubes de origem.

O Millonarios prontamente tomou inciativas a fim de lucrar ao máximo no tempo que lhe restava com os estrangeiros e, para isso, aventurou-se em marcar amistosos ao redor do mundo (visando arrecadar receita com a bilheteria das partidas). Em 1952, a equipe foi chamada para jogar um torneio hospedado pelo Real Madrid, em celebração do cinquentenário da equipe madrileña. 

Na vitória do Millonarios sobre o Real Madrid por 4 a 2, Di Stéfano marcou duas vezes e foi eleito o melhor jogador do torneio. A atuação de destaque fez com que o argentino fosse prontamente contratado pelo Barcelona.

Dom Alfredo deixou o Millonarios como o maior artilheiro da história do time, totalizando 267 gols em 292 partidas; tendo conquistado três Campeonatos Colombianos nas quatro temporadas que permaneceu na equipe.


SMSB

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