terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Alfredo Di Stéfano - Parte 2

Carreira na Espanha
Barcelona negociou Di Stéfano com o clube que detinha seu passe oficialmente, o River Plate. Somente após já ter participado de três amistosos pelo time da Catalunha, o Real Madrid entrou na disputa por Dom Alfredo, negociando-o diretamente com o Millonarios. Logo, o time madridista também se considerava dono da estrela argentina. O ministro dos esportes, General Moscardo, sugeriu que Di Stéfano realizasse temporadas alternadas por cada equipe em um período de quatro anos, começando pelo Real. O Barcelona se negou a aceitar o acordo,  e Di Stéfano ficou no Real.

O imbróglio na transferência fez com que a rivalidade entre Barcelona e Real Madrid, até então sem forças, começasse e com o passar dos anos se acirrasse devido às conquistas do Real com Di Stéfano como líder em campo.

As suas duas primeiras temporadas pelo time de Madri foram premiadas com o bicampeonato espanhol (com direito à artilharia no primeiro deles) e a conquista da Copa Latina, o torneio europeu de clubes mais prestigiado à época. O segundo título espanhol qualificou o Real Madrid para disputar a Copa dos Campeões da UEFA que surgia na temporada 1955/56. A competição europeia terminou com vitória madrilena e com gol de Di Stéfano na final.

Nesse ano o Real não venceu o Campeonato Espanhol que viria a ser conquistado novamente na temporada seguinte (com artilharia de Di Stéfano). Ainda na temporada de 1956/57 veio o bicampeonato europeu após vitória por 2 a 0 sobre a Fiorentina, com gol de Dom Alfredo na decisão.

Na temporada 1957/58 veio a quarto título espanhol e o terceiro europeu dos Merengues sob o comando de Di Stéfano. Nos dois anos seguintes o Real chegaria ao pentacampeonato da Copa dos Campeões, mas deixaria de vencer a Liga que ficou nas mãos do Barcelona. O quinto título europeu foi o primeiro após a chegada do húngaro Ferenc Puskás ao time, ele e Di Stéfano tiveram atuação memorável na final em vitória por 7 a 3 sobre o Eintracht Frankfurt, três gols de Di Stéfano e os outros quatro de Puskás.

Di Stéfano e as cinco Copas dos Campeões

Na temporada 1960/61 o Barcelona eliminou o Real ainda na primeira fase da Copa dos Campeões. Nesse mesmo ano o Real perdeu Didi que viera após a Copa de 1958, mas que nunca se firmara no Real. Di Stéfano chegou a ser responsabilizado pelo fracasso do brasileiro, a quem teria organizado um boicote. O argentino desmentiria isso em sua autobiografia e em entrevistas a diversos jornais, afirmando que seria natural não passar a bola a Didi, pois na verdade, como jogava mais avançado que este, deveria justamente receber os passes dele, e não o contrário. Acreditava que Didi seria influenciado pela esposa que escrevia que o marido seria alvo do ciúme e inveja do argentino. Outro argumento contra a versão de Didi é a de que teria inclusive ajudado o novo colega a instalar-se na capital espanhola.

Um ano depois da queda prematura na Copa dos Campeões, os merengues voltaram à decisão continental: seria contra o Benfica de Eusébio. Mas foram derrotados por 5 a 3, e pela primeira vez Di Stéfano não marcava em uma decisão de Copa dos Campões, os três gols foram de Puskás.

A derrota na final da Copa dos Campeões impediu que o Real atingisse a Tríplice Coroa, já que tinha vencido na mesma temporada o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei em 1962, a primeira e única vencida por Di Stéfano.


Di Stéfano e Ferenc Puskás
Di Stéfano ainda ajudaria o Real a conquistar o Campeonato Espanhol nos anos de 1962/63 e 1963/64, mas sem os mesmos números de artilheiro. Saiu do clube merengue em 1964, quando já não tinha condições de ser titular da equipe. Foi grande responsável pelo crescimento do Real Madrid e pela sua aparição no cenário mundial.

A Flecha Loira ainda jogaria no Espanyol, outro rival do Barcelona. Jogou duas temporadas em Barcelona até encerrar a sua carreira aos 40, a pedido do seu filho, após ter lhe contado que seria avô. Voltaria a vestir a camisa do Real Madrid em 1966 em amistoso contra o Celtic, o que seria a sua despedida do clube.


Foi o maior artilheiro da história do Real Madrid até 2009 quando foi superado por Raúl. Dí Stéfano marcou 307 tentos com a camisa merengue em 371 partidas, enquanto que o espanhol precisou de 685 partidas para superar a marca. Di Stéfano ajudou o Real a conquistar oito títulos do Campeonato Espanhol, uma Copa do Rei, duas Copas Latina e cinco Copas do Campeões. Marcou 818 gols em 1115 partidas em toda a sua carreira. Foi nomeado presidente de honra do Real Madrid em 2000, e o centro de treinamento da equipe madridista foi batizado com seu nome. O Real nomeou de La Saeta (A Flecha) o avião particular usado por sua delegação.


SMSB

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