quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Carreiras Efêmeras, Ídolos Eternos - Alfredo Di Stéfano - Parte 3

Atuações por Seleções

Di Stéfano jogou apenas seis
partidas pela Argentina
Alfredo Di Stéfano defendeu três seleções diferentes. Pela Argentina, foram apenas seis partidas, com seis gols. As atuações foram durante a disputa do Campeonato Sul-Americano (futura Copa América), torneio no qual Di Stéfano foi reserva, mas conseguiu se destacar.

Não participou de uma Copa do Mundo com a seleção de sua terra natal, pois a Argentina não participou das Eliminatórias para a Copa de 1950 e 1954. O motivo se deveu ao fato do país sul-americano não se conformar em não sediar a Copa do Mundo que acabou sendo disputada no Brasil, haja vista que Jules Rimet havia prometido que o país sediaria a Copa de 1942, que não foi disputada em decorrência da Segunda Guerra Mundial.

Somado ao descontentamento para com Jules Rimet, estava as más relações entre a Associação Argentina de Futebol (AFA) e a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), após uma pancadaria na final do Campeonato Sul-Americano de 1946, em Buenos Aires. Na ocasião, os argentinos, revoltados com as fraturas de dois jogadores, agrediram os brasileiros com socos, pedradas e espadas, com a ajuda da polícia. Somente dez anos mais tarde as relações entre AFA e CBD seriam retomadas.

Também não participou de um Copa com a Colômbia, mas nesse caso foi devido ao país estar suspenso de disputar partidas oficiais, em decorrência de sua liga pirata. As três partidas de Di Stéfano com a camisa da Seleção Colombiana foram em amistosos.

True great: Alfredo di Stefano
Di Stéfano pela Seleção do Resto do Mundo,
em 1963, contra a Inglaterra
Pela Seleção Espanhola foi que esteve mais próximo, já que com La Furia foi à Copa de 1962. Dom Alfredo chegou machucado ao Chile e estaria recuperado para disputar a segunda fase. No entanto, a Espanha caiu no grupo de Brasil e Tchecoslováquia e foi eliminada na primeira fase.

Di Stéfano também não participou da vitoriosa campanha da Espanha na Eurocopa de 1964, já que a FIFA, em 1962, determinou que a Copa do Chile seria a última competição em que seria permitido que jogadores atuassem por outro país que não o primeiro pelo qual atuaram (medida que persiste até hoje).

A Flecha Loira atuou pela Espanha em 31 partidas, marcou 23 gols, e foi o maior artilheiro da Seleção Espanhola até 1990, quando foi superado por Emilio Butragueño - atualmente, está atrás também de David Villla, Raúl, Fernando Hierro, Fernando Morientes e Fernando Torres. 

Em 1963, Di Stéfano atuou pela Seleção do Resto do Mundo em um amistoso contra a Inglaterra, em celebração do centenário da Football Association.


Carreira como Treinador:
Ficheiro:Di Stéfano as coach of Boca.JPG
Di Stéfano na conquista do Campeonato
Argentino pelo Boca Juniors
O primeiro time de Dom Alfredo como técnico foi o pequeno Elche. Somente conquistaria o seu primeiro título em 1969, ironicamente, comandando o Boca Juniors, arquirrival do River Plate, onde foi ídolo. A conquista foi inclusive em partida contra o River Plate, em pleno Monumental de Núñez, casa do River.

Dois anos mais tarde, Di Stéfano estava no Valencia, onde teve o seu maior sucesso como treinador. Por lá ganhou o Campeonato Espanhol de 1971 (tendo como vice o Barcelona), a Recopa e Supercopa Europeias na temporada de 1979/80, já em uma segunda passagem pela equipe.


Treinou nesse intervalo o Sporting Lisboa, o Rayo Vallecano e o Castellón. E em nenhum deles conquistou título. Voltou ao River em 1981 e em sua primeira temporada ganhou o Campeonato Argentino (comandando Ubaldo Fillol, Américo Gallego, Ramón Díaz, Julio Olarticoechea, Daniel Passarela, Alberto Tarantini e Mario Kempes, que seriam base da Seleção Argentina na Copa de 1982). Ainda hoje, Di Stéfano é o único técnico a ser campeão argentino por Boca e River.

Ficheiro:Di Stéfano as coach of River.JPG
Di Stéfano foi campeão argentino também com
seu time de infância e de início de carreira, o River Plate
Chegou ao Real Madrid em 1982/83, onde chegou perto de conquistar todos os títulos que disputou, mas perdeu todos. Revelou jogadores que seriam importantes para futuras conquistas do Real (como Emilio Butragueño), mas a falta de títulos lhe rendeu uma demissão. Voltou ao Valencia em 1986, com o qual foi rebaixado e conquistou a Segunda Divisão Espanhola na temporada seguinte.

Assumiu novamente o Real Madrid em 1990, mas agora interinamente. Foi nesta rápida passagem que ganhou seu único título no comando dos Merengues: a Supercopa da Espanha, sobre o Barcelona com direito a goleada por 4 a 1 no Santiago Bernabéu.

Após aposentar-se, Di Stéfano retribuiu o objeto que lhe deu tudo na vida: construiu a estátua de uma bola em sua casa na Espanha, com as inscrição Gracias, vieja! ("obrigado, velha!"). A ideia surgiu em conversa com os jogadores do Real Madrid a respeito de objetos que mereciam um monumento, Di Stéfano defendeu que a bola merecia, "pois graças a ela estamos todos vivendo". A expressão, segundo ele também refere-se à sua mãe: "À velha, que me fez nascer, e à bola, que me fez crescer." A expressão foi utilizada como o título de sua biografia.

Di Stéfano na apresentação de Kaká
Alfredo di Stéfano recebeu o Ballon d'Or em 1957 e 1959 e em 1989 o Super Ballon d'Or como melhor jogador europeu das últimas três décadas. Foi eleito o sexto melhor jogador europeu dos 50 anos de UEFA. Como sempre, Di Stéfano apresenta modéstia quando enaltecido pelo seu desempenho em campo, destacando que apenas foi um jogador que jogou em equipe.

Na atualidade é figurinha carimbada nas apresentações de jogadores e em outros eventos do Real Madrid, clube do qual é presidente honorário desde 2000. Além disso, é presidente de uma associação de ex-jogadores.

Se muitos não viram esse excelente e completo jogador em campo, é necessário que se conheça e reconheça essa legenda que mesmo não vencendo com sua(s) seleção(ões), fez história por onde passou. Uns dos maiores jogadores da história, e um dos mais modestos também.

SMSB

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